Suposto erro em fórmula teria dado origem a um produto mais eficaz no combate de insetos e pragas agrícolas
por Globo Rural Online com informações da FAPESP
Repelente descoberto 'por acaso' nos Estados Unidos poderá ser eficaz no combate a pragas agrícolas
Uma vez descoberto e comprovada a sua eficácia, a pesquisa já tem o apoio dos Institutos de Saúde dos Estados Unidos (NIH) e poderá ser utilizado para controlar epidemias de malária, por exemplo. No entanto, os pesquisadores acreditam que o produto não deva ser usado para produção comercial, mas sim para o desenvolvimento de outros produtos com a mesma base. "É o primeiro produto de uma nova classe de repelentes e, por isso, poderá ser usado no desenvolvimento de outros compostos que poderão ter características apropriadas para a comercialização", disse Zwiebel.
A descoberta do novo produto teve como base um estudo de anos sobre as características dos sensores olfativos dos insetos. Os pesquisadores descobriram que, nos insetos, os receptores de cheiro não atuam independentemente, mas através de um sistema que possui um único correceptor chamado orco. Os receptores de cheiro estão espalhados pela antena e cada um responde a um odor específico. Para funcionar, cada receptor precisa estar conectado ao orco.
Para chegar ao produto, os cientistas inseriram receptores de cheiro de mosquitos em células embrionárias do rim de humanos. Essas células foram testadas com mais de 118 mil pequenas moléculas utilizadas no desenvolvimento de drogas. O resultado foi um considerável número de compostos que ativaram a resposta nos receptores comuns e um composto que disparou o sistema receptor-orco.
Esta molécula, a primeira que conseguiu estimular diretamente o correceptor, foi denominada VUAA1.“Se compostos como a VUAA1 puderem ativar cada receptor de cheiro de um mosquito, então eles poderão dominar o olfato do inseto, criando um forte efeito repelente”, disse Rinker.
Em testes preliminares com mosquitos, os cientistas observaram que a VUAA1 foi milhares de vezes mais eficiente para repelir insetos do que compostos que usam o DEET (N,N-dietil-3-metilbenzamida), comumente empregado em repelentes. O composto também se mostrou eficaz contra moscas, mariposas e formigas. “A VUAA1 abre a porta para o desenvolvimento de novos agentes que poderão não apenas atuar contra vetores de doenças que atingem os humanos como também contra pragas agrícolas”, disse Jones.
A Universidade Vanderbilt entrou com pedido de patente para a nova classe de compostos químicos de uso potencial contra insetos.
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